A IMPORTÂNCIA DA  PSICOMOTRICIDADE

por Rita de Cássia Nascimento*

img_1252120507.jpgO desenvolvimento psicomotor da criança é fundamental importância para a psicomotricidade. É preciso que a criança possa integrar cada um de seus processos antes de adquirir um novo. A educação psicomotora é um pilar muito importante, e esta pode estar bem fundamentada e constituída, ou  não, pois muitos profissionais acreditam ser necessário movimentos simples, porém estes trabalhos podem sanar dificuldades futuras. Tantos os professores e psicopedagogos, empenhados de um desejo de concretizar a aprendizagem de maneira possível poderão utilizar os recursos existente na psicomotricidade para alcançar seus objetivos.

Psicomotricidade é a educação do homem pelo movimento. É um desenvolvimento fisiológico que acontece na vida uterina  pois, realizamos movimentos com nosso corpo, no qual vão se estruturando  e  exercendo enormes influencias no comportamento. Sendo assim, a psicomotricidade nada mais que se relacionar através de ações, e é na educação infantil que a criança conhece o próprio corpo, vivencia e aprende princípio, e coordena seu esboço corpóreo ( Fonseca).

Começou a se perceber na década de 70, que havia a necessidade de dar lugar ao corpo e ao movimento nas escolas regulares, uma vez que, a criança poderia se expressar, se encontrar consigo mesma a através de atividades psicomotoras estabeleceria uma relação mais afetiva. Portanto, os conceitos mencionados sobre Psicomotricidade deixam claro que a integração psiquismo-motricidade e as ações do ser humano, representam suas necessidades e possibilitam sua relação com outras pessoas. A motricidade é uma resposta a um estimo sensorial, resultante de uma ação do sistema nervoso sobre a musculatura e o psiquismo, um conjunto de sensações, percepções imagens, pensamento, afeto (ALVES).

Entendemos então que, se a psicomotricidade se torna uma prática pedagógica, sendo trabalhando de forma interdisciplinar, o crescimento do aluno acontecerá de forma espontânea, sem forçá-lo a nada. Além do que, a psicomotricidade contribuirá no desenvolvimento integral da criança no processo de ensino aprendizagem.

O movimento é um meio pelo qual o indivíduo comunica-se e transforma o mundo que o rodeia. É nesta linha de expressão onde o corpo fala. O corpo, a mente, o outro, o eu, a ação, o pensamento, a percepção, o real, o imaginário, a expressão, o afeto, estão estreitamente ligados na criança desde a primeira idade e com o passar do tempo  irão diferenciando-se e cada qual tornando sua função no desenvolvimento do indivíduo.

Vale salientar que hoje, vemos que o movimento é uma significação expressa e intencional, é uma manifestação vital da pessoa humana, pois é pelo movimento que o envolvimento atinge o pensamento. E esta intenção que dá ao movimento, ainda, suas contribuições na educação.

Segundo Oliveira (2015)  é pela motricidade e pela visão que a criança  descobre o mundo dos objetos, e é manipulando-os que ela redescobre o mundo ; porém, esta descoberta a partir dos objetos só será verdadeiramente frutífera quando a criança for capaz de segurar e de largar, quando ela tiver adquirido a noção de distância entre ela e o objeto que ela manipula, quando o objeto não fizer mais parte de sua simples atividade corporal indiferenciada.

Podemos salientar que quando a aprendizagem não acontece, é que alguma habilidade psicomotora não foi trabalhada, ou seja, o procedimento não  acontecera de forma adequada. É muito importante o trabalho psicomotor na educação infantil, é peça de engrenagem fundamental, pois a falta deste poderá acarretar prejuízo na aprendizagem futura.

A criança se desenvolve integralmente, e não como algo fragmentado tal como apresenta o dualismo cartesiano mente e corpo, partindo dessa perspectiva entende-se que a relação educação, corpo e movimento, estão simultaneamente interligados no processo de aquisição da linguagem e da escrita, uma vez que a imagem que a criança tem de seu esquema corporal, irá influenciar em sua dominância lateral e também na sua percepção especial, fatores este essenciais no processo alfabético.

O domínio  e o conhecimento do próprio corpo, considerado aqui as partes que exigem a motricidade fina, tais como a coordenação dos movimentos dos dedos e das mãos, é fundamental para a criança exercer a sua grafia com maior destreza, além disso, a noção  topológica de perto, longe, acima, embaixo, tem ligação direta com a percepção que a mesma tem do espaço.

Em relação à lateralidade, que é outro fator psicomotor que interfere na alfabetização, observa que algumas crianças embora se apresentem bilaterais, tem uma tendência natural a pintar ora com a mão esquerda, ora com a mão direita, isso deve ser respeitado e o professor observando o desenvolvimento do seu aluno deve orientá-lo, porém não forçá-lo, por exemplo, já tive a experiência de observar em sala de aula na educação infantil, que a educadora segurava na mão da criança para ajudá-la  a escrever, no entanto, vale à pena frisar que, ela em nenhum momento se preocupou em observar em  qual hemisfério corporal estava predominando em algumas crianças, pois a educadora em questão ajudou as crianças a escrever somente com a mão direita, sendo que algumas pintavam com a mão esquerda escrita espalhada que muitas crianças fazem demonstra que ela ainda não adquiriu uma noção espacial, por isso o esquema corporal é tão importante no processo de aprendizagem da língua escrita e fala. A coordenação óculo-manual é outro ponto de grande relevância, pois segundo  Souza, a criança precisa adquirir o controle do campo de visão, ligado a coordenação motora das mãos.

Em síntese podemos concluir que, o processo de alfabetização está diretamente ligado ao desenvolvimento do esquema corporal, entender este processo, bem como os fatores que interferem no mesmo, nos dá subsídios para uma aprendizagem mais significativa, no sentido de que a imagem que temos do nosso corpo, determina a maneira como nos colocamos em relação ao espaço, se esse espaço for à escola, ele necessariamente precisa ser levado em conta.

*Rita de Cássia Nascimento foi professora durante 25 anos da Escola Dom Cipriano Cahgas. Se aposentou esse ano e está aproveitando o ano sabático para terminar sua pós-graduação em educação especial e viajar. Em 2017 volta como voluntária para desenvolver o trabalho de educação especial.
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