Desafios para escola 3.0

por Anna Gabriela Malta*

adelinodepinho

A escola é uma instituição falida não porque os professores são mal remunerados, ou os alunos estão rápidos demais por causa da tecnologia. Isso também. Mas sim, porque se distanciou do mundo em que está inserida. Mundo esse em que a família é múltipla, com pais separados e recasados, com filhos meus, seus e nossos. Com pais do mesmo sexo. Famílias em que a mãe trabalha fora de casa tanto quanto o pai, sendo responsável por 50% do sustento, ou até mesmo 100%. Mundo esse que muda tão rapidamente que muitas vezes não conseguimos acompanhar todas as mudanças.

O ambiente escolar continua lá atrás na revolução industrial quando a instituição foi criada para formar mão de obra para as fábricas. Hoje menos de 15% da economia é composta de fábricas. Vivemos a sociedade da informação. Da interação entre pessoas e máquinas. Uma sociedade em rede, horizontal, e não mais hierárquica como no chão das fábricas. Uma sociedade em que profissões novas surgem a cada dia, e outras tantas morrem por desuso.

A escola, seja ela fundamental ou de ensino médio, precisa parar e refletir sobre como será o mundo em 10, 20 anos. Quais as profissões daqui a 20 anos? O que o mundo vai demandar, em habilidades e conhecimentos, das pessoas em 20 anos? Esse é o mundo em que o aluno de hoje vai viver. Daqui a 20 anos! E enquanto isso estamos preparando nossas crianças para viverem no mundo de 200 anos atrás! Não dá para dar certo.

Como uma outsider do ambiente tradicional educador foi um choque quando encontrei o ambiente escolar estagnado em relação ao mundo. Conversando e trocando ideias com gestores e professores é impressionante como os educadores ainda estão presos a fórmulas e estruturas que não conversam nem com o mundo de hoje. Imagina com o mundo daqui a 20 anos. Com algumas exceções, em geral a escola não fez o seu dever de casa. Está encastelada na torre de marfim. Pior: está acuada diante da demanda.

Não tem solução fácil para recuperar esse tempo perdido, mas é preciso mexer na estrutura, sair da zona de conforto, receber imputs das famílias, ceder lugar para a tecnologia no dia-a-dia, investir em pensamento crítico por parte das crianças e deixar para trás o tempo da decoreba e respostas prontas. Os professores precisam ocupar o seu lugar de direito – guias na grande aventura que é a vida e o aprendizado. Deixar as amarras para trás e abraçar a participação dos alunos, criar novos caminhos, desafiar as crianças a pensar. Os pais precisam participar desse processo, e principalmente, contribuir e ajudar as escolas nessa readaptação.

Resgatar o ambiente escolar não é tarefa só das escolas. É de toda sociedade. Dependemos dele para vivermos num mundo melhor, em que cidadãos são comprometidos com suas comunidades, se conhecem e sabem seus limites, direitos e deveres. Sem escolas que de fato preparem para vida, continuaremos formando repetidores de ideias.

Anna Gabriela Malta* é gestora da Sociedade Providência, instituição mãe da Escola Dom Cipriano Chagas. Está chegando a pouco no ambiente da educação e aprendendo muito, ao mesmo tempo em que tenta diminuir o gap entre o ambiente lá fora e o escolar.
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